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quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Necessária Esperança


Você se considera alguém esperançoso?

Você acha importante ter esperança na vida?

Em que você tem esperança?

Curiosamente, alguns pensadores consideram-na uma ameaça.

André Comte Sponville, filósofo moderno, afirma que a esperança deseja e teme um futuro que ainda não é, que talvez nunca seja, mas que a tortura com sua ausência.

Para ele, nessa esperança que dizemos cultivar, há ainda muita incerteza e angústia, pois não se sabe realmente se aquilo vai ou não acontecer, se vamos ou não conseguir alcançar o que intentamos.

É como se nos auto-enganássemos, querendo revestir de um sentimento de prazer, de alegria, um esperar que, no fundo, é totalmente incerto.

Nietzsche é categórico, nesse sentido, dizendo que a esperança prolonga o sofrimento, por isso seria o pior dos males.

Desconsiderando a dose extra de pessimismo nas palavras do filósofo alemão, verificaremos que há muita verdade em seu dizer.

Se colocarmos sob observação o que entendemos por esperança, e a forma com que muitos ainda a cultivamos no mundo, veremos que todos estão certos em combatê-la.

A esperança vulgar, do simples esperar comodista, estático, engessado, quase sempre é grande mal para o Espírito nas vias do progresso.

Quantos dizem: Tenho esperança de conseguir uma vida melhor!... Mas não movem um dedo sequer na direção desse sonho.

Quantos afirmam, suspirando: Tenho esperança de que o mundo vai tomar jeito... Mas não são capazes de enxergar que está na sua modificação íntima o tal jeito do mundo.

Quantos têm esperança de conseguir isto ou aquilo, mas não entendem que precisam fazer por merecer tais conquistas.

Ter esperança não é esperar, simplesmente, pois a esperança verdadeira é virtude, é perfeição da alma.

Por ser virtude, é força ativa, atuante, e não desejo vago paralisante.

Na verdadeira esperança não há insegurança, e sim, apenas a confiança plena de que tudo acabará bem, independente do que for acontecer.

Essa segurança é dada pela confiança nas Leis Divinas, perfeitas, que regem o Universo de forma magnificamente precisa.

Na verdadeira esperança não há a angústia da expectativa. Ela é substituída pela alegria, pela tranqüilidade de quem espera com confiança.


Quando o indivíduo se encontra na encruzilhada de decisões importantes, é a esperança que o estimula à seleção do caminho a seguir.

Quando os céus se apresentam borrascosos e ameaçadores, é a esperança que anuncia a claridade vitoriosa que logo mais chegará.

Quando as dificuldades aturdem e as perspectivas de êxito fazem-se mais remotas ou impossíveis, é a esperança que propõe novos tentames, a fim de que tudo se modifique.

Quando a morte domina, arrebatando os seres queridos da convivência física e deixando uma lacuna quase impreenchível, é a esperança do reencontro que alenta no prosseguimento da marcha.


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