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sexta-feira, 29 de julho de 2016

O nobre sentimento de GRATIDÃO


Existem pessoas que reclamam da ingratidão. Algumas se afirmam desiludidas porque seus gestos de apoio e dedicação foram retribuídos com maldades e injustiças.

O bom, nisso tudo, é que é um número limitado de criaturas que ainda se permite contaminar pela ingratidão.

Quantos de nós recordamos pessoas queridas, que passaram por nossas vidas e deixaram o toque inconfundível de suas presenças, perfumando-nos as existências?

Uma revista de circulação nacional publicou, certa feita, uma carta recebida por uma grande editora brasileira. Dizia assim:

Prezado senhor. Tomo a liberdade de tomar seu valioso tempo para lhe contar uma historinha inusitada e quase inacreditável, não fosse o fato do senhor ter conhecido bem o personagem da mesma: o Sr. Victor, seu pai.

Eu morava numa vila, em fins da década de 40 e começo de 50 e a garotada de 8 a 10 anos chegava da escola, jogava a mala em casa e saía para brincar.

Era só o que queríamos. Mas, nas tardes em que saíam revistas na banca de jornais, não havia brincadeiras.

A garotada ia para a banca adquirir as revistas e se enfurnava em casa para se deliciar com as historinhas.

À tarde, nos reuníamos para os nossos comentários sobre nossos heróis.

Mas, logo depois, certas histórias eram interrompidas para continuar na semana seguinte. Nós nos sentimos ultrajados. E se não desse para comprar a próxima? Como ficaríamos?

Então, do alto de nossa autoridade de estudantes primários fomos reclamar na editora, instalada em acanhadas salinhas.

Fomos recebidos por um senhor alto e muito simpático que logo nos desarmou com um sorriso e nos convidou a sentar.

Em seguida, nos ofereceu água e nos fez diversas perguntas sobre as revistas. E, curiosamente, prestava atenção às nossas respostas.

Ele aproveitou a presença de duas "autoridades" de 8 e 9 anos para fazer uma das primeiras pesquisas de opinião do Brasil.

O autor da missiva concluía dirigindo votos de sucesso sempre maior à editora, dizendo que o fato aconteceu há mais ou menos 50 anos.

A carta poderia ser simplesmente considerada como um elogio à atitude de um homem de visão, um empresário bem sucedido.

Contudo, nas entrelinhas, o missivista deixa clara a sua emoção, o sentimento de gratidão a um grande homem que, um dia, parou tudo que estava fazendo, em seu escritório, e dedicou a duas crianças alguns minutos do seu precioso tempo.



Ouvir as opiniões das criaturas é sinal de sabedoria, pois sempre se pode colher flores onde menos se espera.

Deter-se e doar tempo aos pequeninos é sinal de grandeza, pois todos os que são verdadeiramente grandes conhecem a importância dos pequenos.

E a gratidão é sentimento nobre que brota, espontâneo, dos corações enriquecidos por emoções altruístas.

Constituem formas de gratidão o gesto de ternura, a expressão de afeto, o testemunho da simpatia e da solidariedade.

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